Quem sou eu

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"...há impossibilidade de ser além do que se é - no entanto eu me ultrapasso mesmo sem o delírio, sou mais do que eu, quase normalmente - tenho um corpo e tudo que eu fizer é continuação de meu começo...... a única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? Bem, isso já é demais..." Clarice Lispector

sábado, 1 de outubro de 2011

L.P.

Então vou te dizer como eu realmente me sinto, senta aí. — Ela o empurrou para que ele se sentasse na cama, o empurrou com tanta força, que era notável o desespero nos olhos daquela menina. Mas era uma força doída, aquele tipo de força que a gente vai tomando conforme apanha da vida. E, sem exitar, ela começou a vomitar palavras e mais palavras em cima dele. — Eu te amei mais que tenha amado qualquer outro alguém nessa vida, menino. Pena que eu não saiba lidar com o amor. Vezenquando eu pareço uma louca varrida e sei disso. Pareço não ter sentimento algum e sei disso. Pareço não querer saber de você e sei disso. Mas a verdade é que eu nunca, em momento algum, deixei de querer você. Mesmo nos momentos em que eu te odiei, eu te amei. Ok, até a minha explicação parece louca. Não sei se mereço teu amor, sinceramente. Você é tão puro, e seguro com o que sente, tão firme sobre suas vontades, e eu aqui, entre te amar ou me amar. Eu tenho esse medo, você entende!? De um dia acabar e eu acabar, você entendeu, minha vida desmoronar e eu acabar sem você. E por medo, eu amo com esse escudo sobre meu coração. Que irônico, não é? Olha só para mim, por mais que tenha tentado me proteger, estou aqui: ferida, machucada, dilacerada, sentindo a falta de você. E mais uma verdade é que eu não sei se, agora, poderei mudar isso. Minha vontade é te pegar e te beijar e te fazer entender que sou eu pra você, te fazer sentir no meu beijo que somos nós e não poderia ser de outra forma. Mas não seria justo com você, não agora… Independentemente de querer o seu amor, eu quero a sua felicidade, menino. E eu não sei se posso lhe fazer feliz. Bem, eu posso, mas não é nada fácil lidar comigo e, muitas vezes, eu lhe trataria mal, você sabe disso, e não quero ter que te fazer passar por isso novamente, e nem você quer passar por isso novamente. Eu fui tão idiota, menino. Mas você tem que saber, você não pode se esquecer, que eu vou continuar te amando. Aqui, lá, ou em qualquer outro lugar que a vida me leve. Porque é você que vem em minha mente quando estou sozinha, quando vou me deitar, quando beijo outro alguém, e eu sei que isso significa alguma coisa. Tem que significar. Mas ó, menino, eu não vou mais te machucar, tá tudo bem, eu vou ficar bem também, e te deixo livre pra voar daqui e ser feliz. Te ver feliz faz minh’alma feliz. Bons ventos para você, meu menino lindo. — Ela lhe deu um sorriso imensamente sincero, porém, quando seus olhos sorriram, eles tinham lágrimas. O garoto simplesmente abaixou a cabeça, repassando todas aquelas informações. E, antes que ele pudesse reagir de alguma forma, ela lhe deu as costas e saiu. Encostou a porta e, já do lado de fora, repensou duas vezes em voltar pr’aquele quarto e o pegar de volta para ela. Não o fez. Seguiu seu caminho. Triste. Sozinha.

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